Quando tudo parece perdido e já nada faz sentido, eis que me vem essa lembrança. A certeza de que cada vida muda outra vida e que o encadeamento de intersecções se segue por milhares de anos e nada vai parar. Quantos amores e desamores houveram para que eu possa hoje amar? Quantas vidas compuseram a minha vida e permanecerão compondo, quantas vidas eu também ajudarei a compor? Todo toque que houve em minha vida será levada para um outra vida e adiante por todo o tempo do mundo. Toda porta que abri, todo amor que amei se repetiu antes e repetirá até o fim dos tempos dentro da infinidade de cada segundo, tudo ao mesmo tempo. Viverei ainda lutas que atravessam milênios, de almas que virão antes e vieram depois. Conhecerei ainda grandes amores já conhecidos de tantos dias antes, depois, durante. Como tocarei alguém? Que tocarei adiante por milênios, que ideias prolongarei ad infinitum? Que liberdade ajudarei a projetar no futuro e que prisões serei incapaz de quebrar?
Meu coração ganha existência.
Referências:
GARRAMUÑO, Florência. Práticas de Impertinência.
FELINTO, Renata. Não brancos, não héteros, não homens. Não me vejo, mas existo: a sub-representação das minorias na arte brasileira.
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